Resenha: O Doutrinador - Luciano Cunha

Título: O Doutrinador
Roteiro e Arte: Luciano Cunha
Gênero: Ficção/Política
Editora: Redbox
Ano: 2013
Páginas: 84
Classificação:

Sinopse

"Um super soldado num país sem guerras… E vem a revolta, a indignação. Ele ganha as ruas e inicia sua missão: aniquilar os corruptos que sugam nosso país. Ele é adorado. Ele é perseguido. Mas este homem tem um propósito, um milagre a conceber. Ninguém será poupado." - O Doutrinador.

Resenha


“Sou um eterno refém da minha indignação...”

Todo dia algum caso de corrupção está em destaque nos noticiários e é praticamente impossível, não ter na ponta da língua pelo menos um nome de político relacionado aos esquemas de desvios de dinheiro. Em O Doutrinador, o leitor sente que seu grito abafado de indignação foi solto. O cenário dessa história, é uma nação cheia de problemas sociais e dominada pela elite política corrupta, que se utiliza das brechas da lei e de seu poder no governo, para tirar proveito do povo. Muito familiar? Pois bem... A HQ é um retrato do que vivenciamos, da nossa sociedade, dos nossos problemas. Aliás, você perceberá a "sutil" semelhança de muitos dos personagens com as personalidades públicas que conhecemos. O protagonista da história é um super soldado que resolve acabar com a podridão no Governo, aniquilando os envolvidos. Sem piedade. Mesmo sendo perseguido, ele tem um objetivo e nada vai impedi-lo.

O Doutrinador - página 18.

Imagine se em um universo paralelo temos um Doutrinador no Brasil? A obra traz reflexões sobre a situação do Brasil para o leitor. No quadrinho, acompanhamos as atitudes radicais do anti-herói e a forma como ele enxerga o sistema. Devido a seus ataques, o vigilante mascarado se torna assunto nos jornais televisivos e é nomeado Doutrinador. Um outro ponto marcante na obra, é como a mídia brasileira (em principal a televisiva) é bem representada, mostrando sua tendenciosidade a ser parcial, sensacionalista e que cria "argumentações" e "generalizações" prontas para o telespectador.
“Errei em achar que a simbologia de explodir o Congresso faria alguma diferença… Quando se tem uma dúzia de pessoas controlando a mídia de toda uma nação, a palavra democracia se torna, na maioria das vezes, uma mera etiqueta. Por isso, como aqui um escândalo abafa outro, muita gente esqueceu que o Congresso tinha sofrido um atentado...” - O Doutrinador, pág. 42.
Imagem retirada da página oficial no Facebook
O Doutrinador é mais que um homem sendo violento, se vingando. É uma história que passa mensagens que são como um murro no estômago do leitor. Mesmo com elementos semelhantes à realidade, o quadrinho é mera ficção e deve ser vista como tal. As mensagens que o Doutrinador transmite diz muito sobre o câncer na política, levando o leitor a se questionar sobre a nossa estagnação social. Enquanto nos preocupamos em discutir nas redes sociais sobre ideologias, com argumentações rasas ou definições do que é direita ou esquerda, temos que lembrar que na corrupção não existe isso de lado e ela vai continuar ativa. Penso que se a corrupção é ou não o resultado da cultura do jeitinho, só nos resta mudar esse cenário. 

Os desenhos e roteiro são de Luciano Cunha, e a obra ainda traz extras onde ele conta algumas curiosidades quanto ao desenvolvimento, criação do personagem, etc. O quadrinho possui outras duas edições e também vai ganhar adaptação para filme, série, board game e um app!
“Eu continuo aqui lutando essa guerra sozinho… Não tenho mais paciência para procurar por paz de espírito… Todo dia um novo escândalo de corrupção me torna mais frio…” - O Doutrinador, página 40
Para ficar por dentro de novidades e de edições para comprar, recomendo que acessem a página do Facebook da HQ. E se você já leu V de Vingança do icônico Alan Moore e David Lloyd, recomendo a leitura de O Doutrinador, pois te trará um certo conforto literário.

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