Crítica | Sob Pressão

Titulo: Sob Pressão
Direção: Andrucha Waddington
Elenco: Júlio Andrade, Andréia Beltrão, Marjorie Estiano, Ícaro Silva
Gênero: Drama
Classificação :  





Sinopse: Dr. Evandro (Júlio Andrade) e sua equipe, formada também pelos doutores Paulo (Ícaro Silva) e Carolina (Marjorie Estiano) enfrentam um tenso dia no hospital em que trabalham quando têm que realizar três cirurgias muito complicadas: um traficante, um policial militar e uma criança. O que complica o caso é que os três foram feridos no mesmo tiroteio em uma favela próxima ao hospital.





                                           Resenha:


Um policial, um traficante e uma criança com algo em comum: todos chegam ao hospital público com ferimentos a bala. Parece um caos. O que fazer quando há gente demais e recurso de menos? Quando falta tudo, desde maca, medicamentos e até mesmo profissionais?

Essa é a rotina diária de Evandro, Chefe da equipe médica de um hospital público em mais um dia de cão. Não há melhor descrição. Um tiroteio durante a noite e que permanecia durante o dia em resposta a ação policial (que conseguira balear e capturar o dono do morro), fez com que diminuísse o número de funcionários (muito não conseguiram chegar) e aumentasse o de pacientes. 
Sob Pressão é um filme que tenta passar a rotina esmagadora dos profissionais de saúde que fazem seu melhor mesmo sem nenhum suporte (isso inclui finanças e equipamentos). Em todo o filme é muito comum pensar em expressões como “Não é possível que eles estão fazendo isso” ou “não acredito nisso”. Pois bem, eles farão, porque é o que é o que deve ser feito para salvar aquela vida.

Aviso de antemão que se não gosta, tem fobia, nojo o qualquer sentimento relacionado a sangue, esse filme muda do gênero drama para terror. Tudo aparenta ser muito primitivo, e é. A sensação de estar em guerra te faz entrar num estado de negativa, de que isso não pode estar acontecendo no Brasil. Apesar de não ser um filme com um enredo verídico, ele é inteiro baseado em situações que ocorrem diariamente nos hospitais esquecidos pelo sistema. É muito provável que tudo que viu seja apenas um milésimo do descaso com a área de saúde como um todo, principalmente para territórios como o que o filme se situa.
É um filme bem dirigido por Andrucha. Ele alcança o público em qualquer abordagem. Se a intenção é gerar pânico, tensão, drama, emoção, é sempre muito bem sucedido. A escolha do elenco tornou seu trabalho um pouco mais fácil. Júlio Andrade atua de forma exemplar, mostrando as várias vertentes de Evandro, um homem que vive para servir e isso traz consequências graves para o próprio. Nos faz questionar até que ponto o bem maior pode nos fazer sacrificar nossas vidas.

Ícaro Silva nos surpreende com uma excelente atuação de um cirurgião empenhado em salvar quem realmente importa, não se intimidando em ser contrário as decisões de Evandro em vários momentos. Marjorie interpreta a novata designada para trabalhar naquele hospital e que surpreende a todos por se adaptar rapidamente ao ritmo do trabalho, e devo dizer, ela é excelente em qualquer papel, faz com uma naturalidade que faz que que acredite que ela é uma médica nata. Andréia Breltrão não está em seu papel, embora dê seu melhor para interpretar a administradora do hospital.

O grande problema dos filmes brasileiros é algo que deveria ser facilmente resolvido. Os diálogos parecem fabricados, e isso incomoda mais do que deveria. Mas nada que prejudique o enredo como um todo.

Sob Pressão é uma denúncia ao ambiente caótico que os profissionais de saúde encontram e são obrigados a trabalhar, com inúmeras pressões. Ao final do filme, a conclusão que se chega é que falta humanidade, falta comprometimento e importância do sistema para com essas pessoas. É um filme que gera incomodo, que precisa ser digerido, processado e refletido, não pelas situações, que muitas vezes são bem absurdas, mas pelo contexto como um todo. 




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