Resenha: World of Warcraft - Illidan | Willian King

Título: World of Warcraft - Illidan
Autor: William King
Editora: Galera Record
Páginas: 306
Classificação: Nenhum texto alternativo automático disponível.
Sinopse: Tempos atrás, o feiticeiro Illidan, um elfo noturno, se infiltrou na demoníaca "Legião Ardente" para impedir que Azeroth fosse invadida. Em vez de saudá-lo, como um herói, seu próprio povo o viu como o Traidor, duvidando de suas intenções depois que ele pareceu estar ao lado dos Lordes Abissais. Por dez mil anos ele definhou na prisão - condenado, isolado, mas nunca esquecido de seu propósito. Durante todo tempo jurou vingança, tanto a seus captores, como a Legião Ardente. Agora, a Legião Ardente aponta seus olhos para "Terralém", cidade dos elfos noturnos e, somente Illidan pode combatê-los...
Introdução bem básica de Warcraft

Para tentar transformar a resenha desse livro em algo leigo, alguns conceitos e uma passagem rápida pelo gigantesco mundo de Warcraft, embora, talvez eu possa falhar, já que Warcraft é uma obra grandiosa no que diz respeito a quantidade de material disponível, tanto em literatura - até hoje não sei quantos livros tem - como em jogos.

O mundo de Warcraft foi, aparentemente criado por Aspectos - dragões com poderes especiais, seres de muita sabedoria e extremamente poderosos. É dividido em quatro raças principais: humanos, orcs, elfos e mortos-vivos (undead). No mundo de Warcraft existe uma guerra intensa entre duas facções - Aliança (humanos e elfos) e Horda (orcs e elfos noturnos) - além de outras ameaças, como a Legião Ardente (demônios). Cada raça tem suas particularidades e próprias brigas internas. 

A história de Warcraft é algo digno sim de Game of Thrones, cheio de intrigas, batalhas, alianças, além é claro, de um mundo mágico fantástico e cheio de conteúdo. O livro segue o jogo "World of Warcraft" na atualização "Legião". Aliás, em questão de games, World of Warcraft é o jogo de MMORPG (massively multiplayer online role-play game) mais jogado no mundo, mesmo em queda. 

Nesse livro em questão, a história de um dos maiores personagens de Warcraft (Illidan) é contada. Em partes. Mostrando porque é um personagem importante da trama de toda a história do mundo de Warcraft - e porque os fãs da obra tem certo carinho pelo "vilão" da história.

Resenha

O livro conta a história de Illidan, como dito acima, um elfo noturno feiticeiro que, se antevendo a ameaça da Legião Ardente, se infiltrou em suas fileiras para tentar conter esse mal, entretanto, devido a sua aparência e personalidade mudadas, é acusado de traição e preso durante muito tempo. 

Acontece que o mal que Illidan previa - porque Azeroth já não tem coisas ruins acontecendo o suficiente, como guerras, gente morrendo, enfim. Desgraça pouca é bobagem - decidiu atacar o mundo de Azeroth, e os elfos, despreparados para enfrentar a Legião Ardente, acabam sucumbindo a terrível horda demoníaca. Tyrande, uma das captoras e ex-amor de Illidan, liberta o traidor, pensando que, como "gratidão" ele ajudaria os elfos, entretanto, Illidan tem seus próprios planos, que incluem sim, a derrota da Legião Ardente, e vingança contra seus captores. Para conseguir esse feito de derrotar a Legião, Illidan pretende atacar duas peças importantes da Legião - Magtheridon, um general famoso de Mannoroth e Kil'jaeden, o campeão da Legião. 

Na outra ponta, temos a personagem Maiev Cantonegro, uma elfa noturna, carcereira de Illidan e que persegue o demônio para que ele não consiga realizar todas as suas ambições. Maiev é uma personagem justa, mas o seu ódio e obsessão em capturar Illidan e fazê-lo pagar pelos seus crimes faz com que ela enfrente seus piores demônios, utilizando exatamente a mesma razão de Illidan para atingir o seu objetivo acima de tudo - um certo filósofo que eu não gosto dizia isso: "Os fins justificam os meios".

A escrita do livro é com deadline, isso é, um fato crucial que ocorre e a contagem regressiva para tal. No caso, é algo definido como "A queda". Tal deadline faz com que, em determinada parte do livro (no seu terço final) a leitura seja realizada com uma voracidade. Essa técnica quando é utilizada em livros, geralmente é sinal de sucesso pra mim. Desde "Anjos e Demônios" - melhor livro do Dan Brown, na minha opinião - que foi o primeiro livro com esse esquema de deadline, até Illidan, é um recurso que, quase sempre é fórmula de sucesso.

Como o terço final do livro é a parte onde ele foi "devorado" por mim, as outras duas partes não foram tão rápidas. Mas a "demora" na leitura é influenciada pela quantidade de personagens introduzidos, além dos conflitos de Illidan e da própria Maiev, onde há quase todo momento, eles são lembrados sobre o "porquê" de suas respectivas missões e, qualquer passo em falso, pode desviá-los de seu caminho.

O autor consegue mostrar o tipo de personagem complexo que Illidan é. Movido pela obsessão, mais do que pelo ódio ou vingança, ele acaba sujando suas mãos e a de outros personagens, de lama para que o seu objetivo final seja atingido, outra vez, o personagem é levado pelos fins que justificam os meios. 

E, como quase tudo que segue a lógica pura e cruel de "os fins justificam os meios", o livro não possui um final feliz. Muitos podem dizer que isso é um spoiler, mas, a maioria das histórias do mundo de Warcraft tem essa característica. De todos os livros que eu li desse vasto mundo, apenas um deles possui um final relativamente feliz - Sombras da horda -, mas todos eles são tomados por uma certa desolação. Portanto, ao ler qualquer obra do mundo de Warcraft, não espere o final feliz de outros livros de fantasia.

Concluindo...

Como eu disse em algum outro momento, o cânone de Warcraft é vasto e, pra não cometer algum erro ou injustiça, não pretendo falar dos livros (já li outros 6) em ordem ou algo assim, embora tenha a intenção de falar algo sobre os livros anteriores - tem histórias excelentes, como "Crimes de Guerra" ou o "Sombras da Horda" - mas, embora Warcraft seja uma história de grandes batalhas, guerras, também possui grandes doses filosóficas. A referência de Maquiavel (os fins justificam os meios) ou Jean Jacques Rousseau, onde "os homens não nascem maus, mas a sociedade/meio os corrompe", além do "livre-arbítrio" e do preço que se paga por ele é visível em toda história. Daria para fazer uma lista de personagens que são afetados por esses conceitos filosóficos, mas talvez fique para as próximas resenhas de Warcraft.

Para o público que gosta de uma fantasia medieval, talvez "World of Warcraft - Illidan" tenha algum problema para cair no gosto do leitor, já que, embora as descrições do mundo da história sejam bem descritas pelo autor e o livro venha com um mapa na contracapa, o leitor de primeira viagem é jogado no mundo com as mudanças já ocorrendo a todo vapor - e pra esse leitor, talvez começar a saga literária por esse livro seja um desafio ingrato - mas, para quem já conhece um pouco do mundo de Warcraft - inclusive vendo o filme - pode ter uma melhor adaptação pelo mundo literário de Warcraft, mas, caso decida ler, saiba que esse livro faz parte de um cânone gigantesco, impressionante e que vale muito a pena acompanhar...

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