Resenha: Kate Somente | Erin Bow

Título: Enterramos Kate Somente
Editora: Rocco
Autor: Erin Bow
Número de páginas: 344
Classificação:Nenhum texto alternativo automático disponível.
Sinopse: Em uma cidadezinha dominada por superstições e maldições, as pessoas diferentes são temidas e ameaçadas; bruxas são perseguidas e queimadas. Lá, vive a jovem Kate Somente, uma órfã com um olho de cada cor, nariz comprido e sobrancelhas espessas. Filha do entalhador, desde muito cedo Kate aprendeu a manejar uma faca, e sua incrível habilidade de esculpir a madeira, somada à sua aparência incomum, logo a tornam alvo do preconceito e da maldade do povoado. Kate precisa se proteger dos perigos que a cercam, e talvez para isso tenha que ceder a um estranho mais do que gostaria... a própria sombra. Mas será que isso não tornaria o seu futuro ainda mais incerto?
Kate deixa para trás uma vida difícil, mas previsível, enfrentando perigos e mistérios que nem imaginava existirem e com os quais teria de aprender a lidar de qualquer jeito. Afinal, mesmo para uma pessoa sem sombra, a vida seguia em frente.


Resenha:


  Comecei a leitura de Kate Somente apenas por curiosidade e é maravilhoso poder dizer que não pude larga-lo antes de terminar. É uma história terna e fantasiosa, como uma fábula deve ser, mas preserva dentro de si uma dose de terror que apenas um olhar perspicaz pode compreender.
   Kate Somente é uma moça incomum em uma época de pessoas comuns. Filha de um entalhador e órfã de mãe, a menina aprendeu a esculpir madeira desde muito pequena e seu talento, ao mesmo tempo que encanta, também assusta as pessoas simplórias com quem convive. 
  Pessoas que recorrem à magia quando necessitam, porém não hesitam em queimar bruxas quando o seu poder os faz sentir ameaçados.
   Kate não é uma bruxa, no entanto parece-se com uma e isso já é motivo suficiente para lhe causar muitos problemas: possui um nariz muito comprido, sobrancelhas espessas e um olho castanho e outro azul. O talento excepcional para esculpir formas em madeira completa o exótico conjunto.
   Quando o pai de Kate morre por causa de uma estranha doença conhecida como febre de bruxa, a menina é obrigada a deixar a casa/oficina em que nasceu e cresceu, que pertence à guilda dos artífices em madeira (uma espécie de sindicato que regulamenta o trabalho dos entalhadores) e vai morar em uma tenda na praça, onde esculpe amuletos chamados objarka, muito usados para proteção contra o mal.
   Os anos passam e Kate sobrevive ao lado de seu único amigo, um gato cinza e magricela chamado Braque que frequentemente lhe traz presentes que ajudam a matar a fome: morcegos, ratos e outros pequenos animais que ambos dividem durante a noite.
    Tudo começa a mudar quando um estranho chamado Linay aparece na cidade. Kate sabe instintivamente que ele é perigoso e procura se manter afastada, mas o homem a procura para fazer uma oferta incomum: ele lhe concederia o desejo mais profundo de seu coração em troca de sua sombra.
   Se Kate ainda tinha alguma dúvida de que o homem era um bruxo, ela termina nesse momento. Como a garota esperta que era, Kate recusa a proposta,  mas Linay não está disposto a desistir e começa a plantar em volta da entalhadora indícios de bruxaria. Logo a cidade, que sempre a tratou com desconfiança, está contra ela e ela percebe que se quiser sobreviver precisa fugir, e para conseguir fugir sua única alternativa é aceitar a oferta de Linay.
   A sombra de Kate pelo mais profundo desejo de seu coração, foi o acordo entre os dois, porém a garota não imaginava qual seria esse profundo desejo. Eis que ela se surpreende quando Braque, o gato, começa a falar. Não é difícil compreender que Kate se sentia muito sozinha e como seu único amigo era o gato, desejava profundamente que ele pudesse responder quando ela falava.
   Desse ponto em diante Kate parte com Braque em busca não se sabe exatamente de que: um lugar para recomeçar, uma família ou apenas reaver a própria sombra? Mas os dois são bons companheiros de viagem e conhecem muitas figuras interessantes nas suas aventuras, até voltarem a se encontrar com Linay e descobrirem qual era o plano do bruxo para a sombra de Kate.
    Como disse no início da resenha, Kate Somente é como uma fábula que sob um verniz fantasioso reflete sobre algumas atrocidades que foram cometidas quando os seres humanos se viam diante de algo que não conseguiam explicar e que, portanto, os aterrorizava. 
    As bruxas perseguidas e queimadas na história fazem uma analogia à perseguição e ao assassinato de mulheres acusadas de bruxaria na Idade Média,simplesmente porque sabiam como ajudar os pobres camponeses que as procuravam em busca de cura ou alívio para suas enfermidades.  A ignorância acendeu as fogueiras onde foram queimadas as bruxas. A ignorância tentou matar Kate. A ignorância queimou Lenore. 
   Leia e encante-se com a história agridoce de Kate Somente, a menina que parecia uma bruxa, mas não era.

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