Título original: The Ritual
Estreia: 31 de Julho de 2025
Gênero: Terror
Direção: David Midell
Elenco: Al Pacino (Padre Theophilus Riesinger), Dan Stevens (Padre Joseph Steiger), Abigail Cowen (Emma Schmidt), Ashley Greene, Patricia Heaton.
Sinopse: Baseado em uma história real, O Ritual é um filme de terror envolvendo dois padres, que vivem ao mesmo tempo momentos complicados de suas vidas. Enquanto um passa a questionar a verdade em sua fé, o outro precisa lidar com as consequências de um passado extremamente conturbado. No entanto, apesar de suas diferenças e conflitos, quando uma jovem é possuída por um forte demônio, eles precisarão deixar suas insatisfações um com o outro de lado e focar em todo o seu tempo tentando salvar a garota. Contando com uma arriscada sequência de exorcismo, o tempo passa e a igreja precisa correr para expulsar o inimigo do lugar sagrado e trazer a menina de volta à vida real.
Baseado no exorcismo real de Emma Schmidt (ou Anna Ecklund), um dos casos mais documentados do século XX, O Ritual propõe uma abordagem mais sóbria e quase documental sobre a possessão demoníaca. A expectativa era alta: o retorno de Al Pacino ao gênero, a promessa de um terror psicológico contido e uma história com raízes históricas sólidas. No entanto, o resultado é desigual e frustrante. O filme se arrisca ao abandonar o espetáculo para buscar profundidade, mas não alcança nem um, nem outro.
Mesmo com nomes de peso como Al Pacino e Dan Stevens, as performances deixam a desejar. Pacino entrega uma atuação apática, marcada por silêncios excessivos e falas arrastadas. Seu personagem, um sacerdote experiente atormentado por um fracasso passado, é um arquétipo com potencial, mas sua presença em cena é quase simbólica, sem impacto dramático. Ele parece estar ali mais pela força do nome do que por envolvimento real com o papel. Não é sua pior atuação, mas está longe do que se espera de uma lenda.
Dan Stevens é quem sustenta emocionalmente o longa. Seu personagem, um padre jovem e racional em crise espiritual, tem potencial dramático. Stevens consegue transmitir empatia, conflito e vulnerabilidade de forma contida e eficiente. Ainda assim, a jornada do personagem é mal explorada pelo roteiro, que não aprofunda suas motivações nem seus dilemas. O pouco desenvolvimento prejudica o vínculo do espectador com sua trajetória.
Abigail Cowen se entrega fisicamente ao papel de Emma, especialmente nas cenas de possessão. No entanto, a personagem carece de construção psicológica. O filme sugere traumas e conflitos internos, mas não os desenvolve. Emma se resume a um corpo em sofrimento, o que, ironicamente, enfraquece a crítica que a obra tenta esboçar sobre o silenciamento feminino dentro da Igreja. Há mais exposição do tormento do que real compreensão sobre ele.
O roteiro de David Midell é excessivamente contido. A estrutura é linear, quase didática: apresenta-se a paciente, os padres são convocados, o ritual começa. Não há surpresas, reviravoltas ou tensão crescente. A tentativa de criar um drama psicológico e teológico naufraga em diálogos expositivos e ausência de subtexto. Elementos centrais como fé versus ciência, trauma versus espiritualidade, culpa religiosa e repressão feminina são apenas pincelados. Nenhum deles é realmente debatido ou incorporado à evolução narrativa.
A condução do exorcismo, que deveria ser o ápice emocional e espiritual do filme, é longa, arrastada e anticlimática. Não há tensão escalonada, tampouco momentos de ruptura emocional. O ritual se apresenta mais como uma reconstituição fria do que como uma batalha espiritual intensa.
Visualmente, O Ritual também decepciona. A direção de arte aposta em elementos previsíveis: ambientes claustrofóbicos, iluminação sépia, excesso de velas e objetos religiosos. É uma estética funcional, mas genérica. Nada se destaca. A fotografia é opaca e a trilha sonora, repetitiva. O som falha em amplificar a angústia e a sensação de ameaça. As cenas de possessão carecem de impacto simbólico ou visual, tornando-se tão monótonas quanto o restante da narrativa.
Mesmo inspirado em um caso real, o roteiro não apresenta nenhum frescor. O filme percorre todos os clichês do gênero: padres em crise, mulher possuída, confrontos espirituais e encerramento redentor, tudo isso já foi feito antes, e de forma muito mais eficaz. Falta originalidade, ambição visual e coragem narrativa.
O Ritual tenta ser um filme sério, contido e reflexivo, mas se perde em sua própria lentidão, na falta de tensão e em atuações irregulares. Para os muito interessados no tema do exorcismo, pode funcionar como curiosidade histórica. Para o público geral, é um filme esquecível.











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