Resenha: Verty Society - Vol. 1 I Fénelon Tartari

Título:  Verty Society - Vol. 1 
Autor: Fénelon Tartari
Editora: Labrador
Número de páginas: 340

Sinopse: 

Novo romance do autor Fénelon Tartari , "Verty Society - Volume 1: Era Traidário" é uma fantasia distópica, e ao mesmo uma crítica atual à nossa sociedade. Seria essa uma profecia para o futuro?

Em 2400, a Terra se tornou Verty, um planeta ideal, governado pelo luxuoso Rei X, um líder fiel aos valores tradicionais e devoto de Eros, o deus salvador da humanidade. Shell, filha adotiva do rei, nunca se encaixou nessa nova realidade. Prisioneira de um corpo que não reconhece como seu e de uma sociedade que não tolera diferenças, encontra refúgio nos livros e no grupo dos sete amigos da Academia de Belas Artes de Gênova.

Na noite em que completa 300 anos, o que deveria ser sua celebração mais íntima e libertadora vira um pesadelo. Ela e os sete amigos despertam em um quarto branco, presos em um ritual obscuro transmitido em tempo real para toda a galáxia. O que parecia um castigo divino esconde algo ainda mais sombrio  e o Rei X pode ser a peça-chave de um jogo muito maior do que todos imaginam.

Em uma fantasia visceral, Fénelon provoca reflexões profundas sobre identidade, resistência e opressão, mergulhando em personagens ricos e complexos.

Ao final do livro, adentre à galeria de Verty e surpreenda-se com obras de arte inéditas dos 18 artistas colaboradores do projeto.
                                              Resenha

Imaginem uma Terceira Guerra Mundial acontecendo com o que chamamos de Terra devido à disputa por petróleo, à política, à religião, à inteligência artificial, à imigração e às mídias sociais e, enquanto isso acontece, um meteorito destrói a humanidade e o planeta.  

Atualmente, temos um planeta chamado Verty - governado pelo  Rei X. Ele é um líder fiel aos valores tradicionais e devoto de Eros, o deus salvador da humanidade. Estamos no ano de 2400, e o dia dura em média 40 horas.

Os habitantes são chamados Vertyianos - eles são seres humanos mais altos e desenvolvidos. Eles se amam, se respeitam e são fiéis ao governo do Rei X e devotos de Eros, o deus salvador da humanidade.

Todos os habitantes aqui se comunicam com a mente - são retiradas a arcada dentária e a língua - e eles se alimentam de pílulas que contém todos os nutrientes necessários. Não há mais ricos e pobres, todos têm os mesmos direitos, e temos uma sociedade unificada no mesmo nível padrão. A moradia? Todos moram em uma mansão padrão. Eles têm língua própria e é chamada de Vertinês, todos os habitantes usam um chip no cérebro e eles são vigiados 24 horas por dia - pelo Hub - um sistema de IA. Então eles não podem se questionar sobre o mundo, a filosofia ou a religião e sim seguir todos os mandamentos de Eros.

Aqui iremos conhecer Amanda e Shell, filhas do rei X - uma é adotada e a outra é filha de sangue dele. Amanda é branca, tem um corpo perfeito e tem todas as regalias de uma princesa. Shell é parda, gorda, muito inteligente, boa aluna e questionadora nata. Shell também sente que tem algo diferente em seu corpo e ela não se identifica com ele. 

Todos os personagens principais (Shell, Amanda, Tulio, Oswald, Sofie, Chen e Joseph) estudam na Academia de Belas Artes de Gênova, e iremos conhecer um pouco sobre eles durante a narrativa da obra.

Shell está feliz porque, essa noite, no dia 1 de Janeiro de 2400, ela completa 300 anos e chama seus amigos mais íntimos para a festa de aniversário. O local da festa é seguro, tinham seguranças e câmeras para todos os lados, os convidados só poderiam se teletransportar de lugares secretos e só poderia entrar quem estivesse na lista VIP.  

No entanto, o que era para ser uma celebração vira um verdadeiro pesadelo. Shell e os seus amigos despertam em um quarto branco, presos em um ritual que está sendo transmitido em tempo real para toda a galáxia. 

Será que tem dedo e mãos do sombrio Rei X? Ou não? Qual será o objetivo dele? 

“Verty Society - Vol. 1”, do autor Fénelon Tartari, foi uma agradável surpresa para mim. 

Comecei a ler essa obra em um dia desses e eu preciso dizer que saí totalmente da minha zona de conforto com essa distopia muito bem escrita e desenvolvida. Assim que comecei, achei que seria uma Utopia. Porém, logo depois, ficou bem explícito que se tratava, na verdade, de uma distopia. 

A narrativa do autor me prendeu do início ao fim, e não tem como não se envolver e não ficar curioso querendo saber qual será a próxima bomba que o autor jogará durante a sequência da obra. 

Foi um livro que me fez refletir bastante, principalmente sobre os temas que o autor usou de forma para fazer críticas, como a homofobia, a liberdade de expressão, a identidade de gênero, a opressão, o uso indiscriminado da inteligência artificial e das redes sociais, os amores líquidos e o fanatismo ideológico e religioso - o que infelizmente está acontecendo atualmente na nossa sociedade, e o autor faz o leitor pensar sobre tudo que foi mencionado acima.

Enquanto estava lendo a obra, lembrei bastante de um livro, que se chama: Vox - ele é bem antigo e fala exatamente sobre a opressão e o silenciamento das mulheres. 

Temos várias reviravoltas, e eu preciso mencionar que fiquei em choque com o plano por trás do Rei X e com a identidade de Eros. Enquanto lia, fazia várias suposições e não acertei nenhuma das hipóteses. 

Indico bastante para todos os leitores que amam uma boa distopia e para quem quer sair da zona de conforto e ler um livro totalmente diferente de tudo que já leu.

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