Título: Agentes Muito Especiais
Gênero: Aventura, Ação, Comédia
Direção: Pedro Antonio
Roteiro: Fil Braz
Elenco: Marcus Majella, Pedroca Monteiro, Dira Paes
Sinopse: Com ideia original de Paulo Gustavo, Agentes Muito Especiais acompanha a história dos agentes Jeff (Marcus Majella) e Johnny (Pedroca Monteiro) que, para provarem ao chefe da polícia do Rio que são capazes de estar na corporação, se infiltram numa penitenciária para tentar desbancar a quadrilha perigosa "Bando da Onça". Desde o treinamento para entrar na polícia, Jeff e Johnny sofreram com preconceito e chacotas por serem gays. Desejando conquistar o respeito dos colegas, Johnny e Jeff imaginam que apenas será possível solucionar um grande caso. Quando a oportunidade de se infiltrar no bando criminoso comandado pela líder "Onça" (Dira Paes), a dupla mantém o disfarce e se envolvem com o grupo criminoso. Não sem se meterem numa série de confusões, desde uma fuga atrapalhada que (quase) dá errado, até a construção atrapalhada de uma emboscada. Agentes Especiais é uma comédia e sátira dos filmes policiais americanos sobre uma missão repleta de percalços e desafios de tirar o fôlego (de tantas risadas).
CRITICA
Agentes Muito Especiais não é só uma comédia para rir e ir embora. Ele até entrega piada, ação e exagero, mas claramente quer fazer mais do que isso. Dá pra sentir que o filme nasce de um lugar afetivo, principalmente por carregar a ideia original do Paulo Gustavo e ser finalizado como homenagem. Isso pesa, no bom sentido.
A estrutura é aquela clássica de dupla policial que começa se estranhando e termina unida, nada revolucionário. A diferença está em quem ocupa esse lugar: dois policiais gays lidando não só com o crime, mas com o preconceito dentro da própria corporação. E o mérito do filme está aqui. Ele não ri deles. Ri do sistema torto, das situações absurdas e da ignorância ao redor.
Funciona porque não vira sermão. A mensagem está ali, clara, mas embalada em humor popular e cenas de ação bem feitas. Tem perseguição, explosão, locação grandiosa e ritmo. Não é aquele filme que parece improvisado só para cumprir tabela. A direção segura o tom e mantém a história andando.
O elenco ajuda muito. Marcus Majella tem carisma de sobra e segura o filme mesmo quando o roteiro exagera. A química da dupla convence. E a Dira Paes como vilã é um acerto enorme. Ela impõe respeito, ameaça de verdade e não vira caricatura, o que já é meio milagre em comédia nacional.
Nem tudo é perfeito. Em alguns momentos o filme apela demais para fórmulas batidas e podia ter aprofundado um pouco mais o lado emocional dos personagens, especialmente quando o preconceito aparece. Às vezes a ação e as gags atropelam o que poderia ser mais potente. Dá aquela sensação de “faltou ir um pouquinho além”.
Ainda assim, Agentes Muito Especiais cumpre o que promete. Diverte, representa e tem coração. Não vai mudar a história do cinema brasileiro, mas mostra que dá pra fazer comédia popular com afeto, consciência e identidade.
Super recomento, principalmente por ser um filme leve sem ser vazio, ele é engraçado e a representatividade aqui não é um discurso batido. É um filme que acolhe, que tenta incluir e que trata seus personagens com dignidade. E só isso, no Brasil de hoje, já é muita coisa. Além de tudo, funciona como um carinho bem dado no legado do Paulo Gustavo.
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