Crítica | Família de Aluguel

Título Original: Rental Family
Direção: Mitsuyo Miyazaki 
Roteiro: Mitsuyo Miyazaki e Stephen Blahut
Elenco:  Brendan Fraser, Mari Yamamoto, Takehiro Hira

Sinopse: Família de Aluguel se passa em Tóquio e acompanha um ator americano com dificuldades de encontrar novos trabalhos e um propósito em sua vida. Isso até sua agente esbarrar com um serviço incomum: uma agência japonesa de “aluguel de família” na qual ele ocupará o papel de pai, namorado e amigo substituto para estranhos. Quanto mais ele mergulha no mundo e na vida de seus clientes, mais ele começa a se importar verdadeiramente com essas pessoas, formando laços genuínos que passam a borrar os limites entre performance, atuação e realidade. Ao confrontar as implicações morais de seu novo trabalho, o ator redescobrirá o valor do pertencimento e a beleza sutil das relações humanas.
                                                  Crítica
Que alegria testemunhar o belo retorno de um ator querido.

Se você, como eu, cresceu vendo A Múmia (1999), também deve nutrir grande carinho pelo carismático Brendan Fraser. Tem sido muito bacana acompanhar seu retorno aos holofotes após um longo período afastado das grandes produções.

A história, de alguma forma, até dialoga com a jornada do ator, pois ele interpreta um homem que vive há tempo demais em Tóquio sem conseguir trabalhar com o que deseja, tendo que aceitar trabalhos menores para se sustentar. Tudo muda quando é convidado a integrar uma equipe de pessoas que atuam conforme as necessidades alheias: pai para uma criança que precisa dessa figura no processo de avaliação para entrar em uma escola, amigo para jogar videogame, esposo para que a filha consiga se mudar de país e, assim, possa finalmente ficar com sua namorada, entre outras tramas.

Somos apresentados a todas essas possibilidades que de fato existem no Japão, ao menos desde os anos 80 onde pessoas contratam atores para desempenhar, em suas vidas, os papéis de que necessitam. O que mais me chamou atenção, como ocidental que sou, é que a direção, nas mãos da japonesa Hikari, constrói um roteiro que não está interessado em julgar as decisões das pessoas, mas em compreendê-las e, quem sabe, aprender um pouco a respeito. É quase um convite afetuoso para observar, de dentro, uma cultura que nem o próprio protagonista, mesmo residindo há anos no país, consegue compreender plenamente.

A câmera nos conduz por cenários belíssimos de uma cidade pouco conhecida por nós, revelando uma cultura tradicional e rica em símbolos.

A cereja do bolo é a atuação contida de Brendan Fraser: um olhar emocionado e um sorriso encantador que cativam rapidamente. É um filme que emociona e nos faz refletir sobre a qualidade das nossas relações — se temos, de fato, com quem sermos nós mesmos; se seríamos amados e queridos caso nos atrevêssemos a ser honestos; ou se, mesmo em diferentes culturas, estamos sempre, em alguma medida, dosando nossa versão para sermos aceitos.

Esse questionamento sutil emerge justamente porque, como dito antes, o filme é amável e calmo, com uma trilha sonora ambiente que valoriza as paisagens e as atuações — mais um acerto da equipe.

Gostaria que mais pessoas se permitissem apreciar essa obra, pois todos seríamos beneficiados se nos deixássemos tocar, ainda que um pouco, por uma experiência como essa.

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário