Crítica | O morro dos ventos Uivantes

Título: O morro dos ventos Uivantes
Direção: Emerald Fennell
Roteiro: Emerald Fennell
Elenco: Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau

Sinopse: 

O Morro dos Ventos Uivantes conta a história das famílias Earnshaw e Linton. Centrada em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), um romance intenso surge para destruir a vida dos dois jovens. O filho adotado do inquilino e Catherine entram em um jogo de obsessão, rejeição e vingança, ao mesmo tempo no qual tentam se distrair com essa louca paixão.


                                                       Resenha

Desde o lançamento do trailer, o filme vem gerando comoção. Principalmente porque a obra original é densa, gótica e emocionalmente sufocante, e o trailer é um clipe QUASE erótico. A música excita, os personagens e suas expressões insinuam, até os recortes das cenas sugerem desejo. Tudo é provocação, nada de Emily Brontë contida e sombria.

Isso me irritou? Talvez. Mas aí eu decidi assistir ao filme sem pensar na história do livro. Apenas ver a história que a Fennell escolheu contar. E, como filme autoral? Ele é visualmente deslumbrante.

Cenários opulentos, fotografia caprichada, tudo embalado em um estilo gótico moderno que chama atenção. Fennell abraça a loucura do romance e a transforma em estética sensorial sensacional.

Margot Robbie é o destaque do filme, ela entrega uma Cathy feroz, magnética e cheia de nuances, sendo um dos pontos altos do filme, equilibrando vulnerabilidade e intensidade, conseguindo oscilar entre fragilidade e crueldade com naturalidade.

Ela é o coração do filme, entregando tudo, menos química com Jacob Elordi, e a conexão entre Cathy e Heathcliff soa, em certos momentos, artificial.

Considerando que Heathcliff, originalmente descrito como racialmente ambíguo no livro, é interpretado por Jacob Elordi. Além da escolha apagar essa característica importante do personagem, sua construção parece focada mais na sensualidade e no “carão” (algo que ele já fez em Saltburn) do que na complexidade emocional.

Para um romance tão denso, a sensação que fica é de que a Fennell enfatiza mais o estilo do que a substância. Entregando um filme visualmente bonito, mas com uma narrativa completamente superficial.

Por: Amanda Santiago

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