Resenha: Calafrio (Maggie Stiefvater)



Título: Calafrio
Série/Volume Os Lobos de Mercy Falls, vol. 1
Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Agir Now
Páginas: 344
Ano de Lançamento: 2015
Classificação:
Compre aqui: Saraiva Submarino Americanas Estante Virtual
Sinopse: O frio. Grace passou anos observando os lobos no bosque próximo à sua casa. Um deles, um belo lobo de olhos amarelos, a observa também. Ele parece familiar, mas ela não sabe por quê.

O calor. Sam vive duas vidas. Como lobo, ele é um companheiro silencioso da garota que ama. E, por um curto período a cada ano, ele é humano, embora nunca tenha coragem suficiente para falar com Grace… até agora.

O calafrio. Para Grace e Sam, o amor sempre foi mantido a distância. Mas, uma vez revelado, não pode ser negado. Sam precisa lutar para continuar humano, e Grace precisa lutar para ficar ao seu lado — mesmo que isso signifique enfrentar os traumas do passado, a fragilidade do presente e as impossibilidades do futuro.




“Eles arrancaram a menina do balanço de pneu que havia no quintal e a arrastaram para a floresta; seu corpo deixou um leve rastro na neve, uma trilha do mundo dela para o meu. Eu vi tudo acontecer. Não impedi.”

O livro inicia-se com Grace aos 11 anos, quando lobos a arrastaram do balanço no qual estava nos fundos de sua casa e levaram-na para a floresta de encontro à alcateia. Devido ao extremamente longo e demasiadamente frio inverno, os lobos não tinham o que comer e viram na menina uma presa fácil. Porém, depois de ser mordida e ferida, ela foi salva por um lobo de belos e misteriosos olhos amarelos (Sam) – e nunca conseguiu se esquecer deles. Desde então, em toda a época de Natal, frio no hemisfério norte, “seu lobo” aparecia no bosque nos arredores de sua casa e ambos ficavam fascinados um com o outro, mas sem o ímpeto de se aproximarem. Por fim, após 6 anos, seu lobo a deixa tocá-lo, mas, depois deste momento, ele desaparece.

Amo livros que são narrados em primeira pessoa, uma vez que isso nos insere na história de maneira muito mais intensa; entretanto, isso faz com que percamos detalhes essenciais para a compreensão do enredo. Porém, isso não acontece em Calafrio: algo que poderia ser dúbio se tivéssemos apenas um ponto de vista a ser observado torna-se claro, uma vez que temos a visão também de Sam acerca do que ocorre tanto quanto está com Grace quanto nos momentos em que está longe dela – amei essa narrativa dividida. Algo que achei super bacana foi que, Assim que Sam desaparece, seus capítulos também somem, e nem Grace e nem nós sabíamos o que tinha acontecido.

Também adoro reparar nos detalhes nos livros, seja nas margens, na numeração ou na maneira como o título está disposto. Em Calafrio os capítulos não possuem títulos, havendo apenas o nome de quem narra e a temperatura local no momento descrito, o que nos ambienta ainda mais na história; além disso, muitos dos capítulos são bem curtinhos (até mesmo sem ter uma página completa), permitindo que a leitura flua muito mais rapidamente.

Depois de um rapaz da escola ter sido morto pelos lobos, estes começam a ser caçados, como forma de prevenir futuros ataques aos habitantes. É nesse ponto que passamos a conhecer, de fato, Sam, que aparece na porta de Grace na forma humana, alvejado durante a caçada – também é a partir deste momento que percebemos a intensa conexão que Grace mostra ter com Sam, uma vez que ela se sentiu fraca e com gosto metálico na boca assim que Sam foi ferido, ainda que ela estivesse a quilômetros de distância no momento e sem saber do ocorrido.

“Eu não acreditava que pertencesse ao seu mundo, um cara preso entre duas vidas, arrastando comigo o perigo dos lobos, mas, quando ela me chamou pelo nome, esperando que eu fosse junto, eu soube que faria qualquer coisa para ficar com ela.”

A partir daí, passam a se conhecer de verdade e dividir segredos, medos, traumas e esperanças, construindo um romance sólido, que encanta o leitor e desperta múltiplas sensações: por vezes, dá vontade de bater nos dois pelo receio que têm de se beijar ou se tocar ou se abraçar; em outras, sentimos o carinho que um tem com o outro, a maneira como cuidam um do outro e fazem o outro ser mais corajoso; e, em outras, partilhamos da angústia e preocupação de um em relação ao que acontece com o outro.

Algo que achei fantástico em Calafrio (além dessa capa liiiindíssima!!) foi a narrativa minuciosa de Maggie! Ela descreve os ambientes de maneira ímpar e faz com que a gente sinta o frio de Minnesota, o gosto de alimentos preparados e, em especial, ressalto a maestria com que descreve os cheiros (a história é sobre lobos, então o faro é aguçado também na narrativa) – por exemplo, na loja de doces é como se estivéssemos lá, sentindo o cheiro do açúcar mascavo e do mel, com nuances de hortelã, bem como o cheiro característico do chocolate. Além disso, a leitura corre de maneira fluida, uma vez que a linguagem usada é muito acessível e as dúvidas que vão surgindo ao longo da narrativa são respondidas até o final do livro – pelo menos a maioria delas, pois, como é uma série, que graça teria contar tudo logo no primeiro livro né?

Um dos pontos principais do livro está relacionado a quanto tempo Sam conseguirá permanecer em sua forma humana, uma vez que é o último ano que conseguirá fazer a transição entre as duas espécies. Assim, a cada caída de temperatura (observada no início de cada capítulo e na descrição fantástica da autora), nosso coração dispara e ficamos na torcida para que ele supere mais esse desafio. Grace se mostra impecavelmente madura e forte ao lidar com situações de risco, salvando seu amado e o amparando em diversos momentos. Ela e seus amigos encontram uma forma que talvez possa fazer com que Sam permaneça na forma humana, mas, será que este plano dará certo e seguirá conforme o planejado?

Com um final surpreendente e emocionante, Calafrio recebe minha nota máxima, apenas não se tornando meu favorito devido a indagações não respondidas ao longo do livro (quem sabe o volume 2, Espera, não se torne?)

Beijos :*

Maggie Stiefvater vive na Virginia com o marido, os dois filhos pequenos, dois cachorros, um gato e um camaro 1973. Ela é uma grande artista da música, é desenhista e atualmente apenas se dedica a carreira de escritora.



                                               Por : Patrícia Jabour

1 comentários:

  1. Eu quero muito ler esse livro, desde que eu li a sinopse dele.
    Com certeza vai estar na minha meta em 2017 :)
    palavrasinquebraveis.blogspot.com

    ResponderExcluir