Resenha: Carta a Rainha Louca | Maria Valéria Rezende

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Título: Carta a Rainha Louca
Autor: Maria Valéria Rezende
Editora: Companhia das Letras (Alfaguara)
Número de páginas: 143

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Sinopse: Mesclando linguagem histórica e uma crítica profundamente atual, Maria Valéria Rezende cria um romance sem par na literatura contemporânea, no qual mulheres mostram sua força frente às mais impensáveis repressões. Olinda, 1789. Isabel das Santas Virgens, presa no convento do Recolhimento da Conceição, escreve à rainha Maria I, conhecida como a Rainha Louca. Em suas cartas, ela, tida por muitos como também lunática, conta os destemperos cometidos pelos homens da Coroa – e por aqueles que galgaram tal posto – contra mulheres, escravizados e todos os que se encontravam mais vulneráveis. Por meio dos tormentos passados por ela e por sua senhora Blandina, nossa narradora expõe o pano de fundo da colonização brasileira e da situação da mulher que ousava desafiar. Com uma pesquisa histórica ímpar e usando o vocabulário próprio do setecentos mesclado a uma linguagem moderna, Maria Valéria Rezende recria com maestria a história de duas mulheres em um período conturbado do passado brasileiro. Como promete à rainha, Isabel conta "toda a verdade sobre o que em Vosso nome se faz nestas terras e a mim me fizeram." "Uma revelação em nossas letras." — Frei Betto "Maria Valéria Rezende costura uma narrativa ao mesmo tempo sofisticada e simples, como só aos grandes escritores é dado saber." — Luiz Ruffato

Mas eu, por mim, digo que mais loucas e enganadas pelo Maligno são elas que se deixam prender, maltratar e tosas como ovelhas, caladas, que a tudo se submetem. Mais loucas ainda estão as que deviam ser as mais dignas, aquelas que tem a autoridade neste Reconhecimento, fazem-se chamar Madres pelas demais e deveriam protege-las, conhecer seu lugar e pelejar pela verdade, mas fingem júbilo quando aqui aparecem os lobos vorazes que se apresentam como seus benfeitores e, sem lutar, deixam esvair-se a vida como se muitas vidas tivessem. Loucas, tolas, sim, são as que jamais gritam.
 
                                                       Resenha


Carta a Rainha Louca tem uma ideia promissora, mas ao mesmo tempo, a sua própria ideia é um martírio. O livro nos traz a ideia de como as primeiras feministas surgiram no Brasil, contando uma história de uma “bruxa” que não conseguiram queimar, mas a trataram como louca; o que acontecia muito com mulheres que não aceitavam estar nesse mundo apenas para servir o homem. Mas como não a queimaram, ela conseguiu deixar um legado: Uma carta a outra mulher que teve o mesmo destino que o seu: A prisão por algo que nunca o fez.

O livro é contado como uma carta, e durante o tempo inteiro, a personagem conversa com o leitor, o qual o chama de Senhora, (Rainha Maria I), enquanto permanece presa em uma cela escura e minúscula de um convento em Olinda. Inicialmente o livro é bem lento, onde Isabel (protagonista) conta como consegue papel, tinta e pena para escrever-lhe a carta, e fala alguns pensamentos bastante interessantes sobre o que ela pensa sobre a sociedade e principalmente sobre homens.

A história apenas começa a ser contada na página 55. Devido ao seu português rebuscado, sua linguagem antiga (muito importante, pois se não o tivesse, não faria sentido, já que foi “escrito”, supostamente, em 1700); digo que até a página 55, a leitura é bem difícil, se tornando lenta e chata, apenas procurando um rumo o qual o livro deveria tomar. Depois disso, a história começa a ficar interessante, quando Isabel conta sobre sua infância até o momento em que é presa e levada a Olinda, apesar do linguajar que torna o livro um pouco cansativo.

Além disso, o livro é corrido. Eu particularmente amo diálogos, pois assim eu consigo ver a história se formando e o livro passa como um filme na minha cabeça, além de tornar os personagens reais. Isso foi um martírio para mim, porque diálogos não há. Apenas consegui imaginar uma senhora escrevendo uma carta em um quartinho triste e mal iluminado. O que tornou a leitura ainda mais difícil.

O livro é pequeno, então não é um sacrifício muito grande ao ler, apesar de que acho que teria sido muito melhor com diálogos. É um livro a se lembrar, pois nos conta muitas coisas que aconteciam as escondidas nas poderosas casas de uma colônia, conta como uma mulher era tratada, mesmo que fosse da nobreza, como os assuntos eram resolvidos com mulheres perdendo a virgindade ou engravidando sem serem casadas, e como todas elas eram consideradas loucas por não agirem de acordo com o que o patriarcado queria.

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