Resenha: O Perfume | Patrick Süskind


Livro: O Perfume
Autor: Patrick Süskind
Editora:Klick Editora/Estadão
Número de Páginas: 219
Classificação:   

Sinopse:


Em Paris, no ano de 1738, nasceu Jean Baptiste Grenouille. Filho de uma feirante, ele veio ao mundo em uma barraca de peixe na cidade mais suja e mal cheirosa do mundo ocidental no século XVII. Após a morte de sua mãe, sobrevive a doenças e pestes em diversos lares miseráveis. Contra todos os prognósticos, Grenouille acaba desenvolvendo duas características que mudariam sua vida - ao mesmo tempo em que não tinha nenhum cheiro, ele era dotado de um olfato apuradíssimo. Este último talento permite que deixe para trás a pobreza para brilhar na indústria da perfumaria. Mas Grenouille, um personagem amoral, não ambiciona a fama ou a fortuna que sua habilidade poderia lhe proporcionar, mas um poder maior sobre as pessoas, baseado na sedução dos odores sobre a alma humana. Assim, Grenouille dedica-se obsessivamente, e sem recuar diante do crime, à preparação de um perfume irresistível, que permitisse conquistar e dominar qualquer ser humano.



Resenha:
Eu já havia lido esse livro há alguns anos atrás, e confesso que é um dos meus favoritos.
Acabei relendo-o há alguns dias, e a história é tão interessante que decidi fazer uma resenha, para compartilhar com vocês esta história tão peculiar.
O romance de Süskind apresenta-nos Jean – Baptiste Grenouille, um homem com um dom peculiar e sua obsessão sem limites por criar o melhor perfume do mundo. O autor nos conta a vida e a trajetória homicida de Grenouille em busca de tão única fragrância que, segundo um mito egípcio, era capaz de causar uma sensação  de êxtase absoluto em quem a sentisse. Jean – Baptiste nasceu na Paris de 1738, na barraca onde sua mãe vendia peixes. Em uma época em que as condições de saúde eram absurdamente precárias – e, eu diria, inexistentes até – sua mãe o abandonou junto aos restos de peixe a serem jogados fora; como todos os outros cinco filhos que ela havia gerado e mortos logo após o nascimento. Mas Grenouille, apesar de franzino, sobreviveu, e seu choro alertou as demais pessoas do comércio que compreenderam as intenções de sua mãe e a denunciaram. A morte de sua mãe – enforcada – é a primeira dentre as que o autor nos apresenta, e é o fim que vai abraçar todos aqueles que vêem o protagonista partir; e o bebê Jean-Baptiste é levado a um orfanato onde descobre, aprimora e se aproveita de um poder que ele sabe ser o único a possuir: o olfato mais aguçado do mundo. Grenouille sente cheiros que ninguém mais é capaz de sentir, e aliada a isso, há a ausência de odor próprio que permite que ele se aproxime das pessoas sem ser notado e faz com que seja tido com “estranho” pelas outras crianças do orfanato. É então vendido por poucos pesos ao Curtidor de Couros para quem vai trabalhar longos anos, que morre assim como a dona do orfanato assim que o vende ao perfumista. Este, com uma carreira em decadência, interessa-se pela habilidade extraordinária, a capacidade ilimitada e inexplorada que o rapaz demonstra em uma das vendas de tecido; e ensina a ele todas as técnicas que conhece para que Jean-Baptiste lhe confeccione fragrâncias cada vez melhores. Grenouille já a muito demonstra ser desequilibrado e moralmente corrompido, além de perseguir com fervor obsessivo o desejo de criar e preservar o cheiro de uma camponesa que ele asfixia por acidente. Ele então abandona o perfumista, morto logo em seguida, e parte para Crasse, onde aprende novas técnicas e assassina 26 mulheres de cujos corpos extrai a essência necessária para a concretização de seu tão ambicionado perfume. Em um dos finais mais surpreendentes que já li, Patrick Süskind abre os olhos de sua personagem principal – condenada pelos crimes que cometeu – para o ponto real ao qual foi conduzido por sua ambição doentia e desenfreada; com um Jean-Baptiste Grenouille que é, ao mesmo tempo, na minha opinião, um estudo sobre a personalidade e alma humanas e uma metáfora para a insatisfação permanente e a constante busca dos seres humanos por sua identidade e identificação na sociedade.
E aí, o que acharam?

2 comentários:

  1. Oi Fê, tudo bem?
    Não conhecia esse livro, mas sua resenha me empolgou bastante!!!
    Beijos,
    http://www.garotadolivro.com/

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  2. Li esse livro há tempos e ainda me lembro bem dele.
    Fico feliz que tenha gostado tanto!
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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