Resenha: Xogum | James Clavell

Título: Xogum - A Gloriosa Saga do Japão
Autor: James Clavell
Páginas: 1039 (é muita página de meu Deus)
Editora: Arqueiro
Classificação: No automatic alt text available. No automatic alt text available.

Sinopse: O livro conta a história de John Blackthorne, que, através de um portulano (guia de navegação) roubado de um navegador português, resolve desafiar e percorrer o novo caminho descoberto para as Índias, mas, devido ao naufrágio de sua nau capitânia – Erasmus – acaba parando na aldeia de Anjiro, província de Izu, e lá, é capturado por Kasigi Yabu e Blackthorne precisa aprender rapidamente a língua e os costumes daquele povo, antes que ele seja morto pela espada.

                                              Resenha



Antes de começar a falar da pequena enciclopédia sobre o modo de vida japonês do século XVII, que fez esse desbravador atual dos costumes antigos a se apaixonar pelo Oriente como um todo, é necessário dizer que, ler um ou dois livros a respeito do Japão feudal, não me fez virar nenhum expert da história medieval japonesa, mas ao ler livros como “Os Japoneses”, “Ponte de Outono”, o próprio “Xogum – a Gloriosa Saga do Japão”, é possível que a história Ocidental, tão disseminada nas escolas, cursinhos pré-vestibulares e até faculdades, acabe tendo sua história igualada, junto com a aura especial que ronda a maioria dos acontecimentos históricos Ocidentais, ou ainda, que essa aura acabe sendo despertada e penda para o lado Oriental do globo.

Sobre a sociedade japonesa – um leve resumo.


A sociedade, de modo estrutural é rígida. Se você nascesse naquela época como Samurai, morreria como um – a não ser que agisse com desonra. Se isso ocorresse, ou cometeria seppuku ou fugia e viveria como um ronin -, do mesmo jeito se nascesse camponês, teria deveres e pagaria imposto ao seu suserano e não havia quase nenhum jeito de mudar seu status social, exceto se o Daimio (senhor da terra), quisesse. Ou seja, nessa estrutura social, em formato de pirâmide, havia o Imperador, que era escolhido por Deus e, portanto, intocado e Senhor do Japão (primeiro nível = topo), os Daimios e seus representantes (segundo nível), que eram espalhados pelas grandes cidades e cuidavam das provincias recolhendo impostos e treinando guerreiros, e os camponeses (terceiro nível – base da pirâmide). As mulheres tinham papel representativo de acordo com o papel do marido na sociedade. Eram submissas ao marido, mas também possuíam responsabilidade referente a economia doméstica, sendo responsáveis pela prosperidade – ou ua (harmonia) – do lar, enquanto os homens cuidavam da política e de planejamento para guerra – se fossem Samurais, ou trabalhavam no campo, se fossem camponeses.

O conceito sexual a respeito dos japoneses daquela época era considerado como uma atividade diária, comum e cotidiana. Afinal, o verdadeiro amor não vinha apenas do “travesseiro” (gíria utilizada por muitas vezes no livro), mas de se entregar de alma para uma pessoa. Tal fato assombra o personagem principal, já que o livro se passa num momento histórico em que a igreja tem um controle sobre a população européia. E o conceito de sexo ser uma coisa comum era, e ainda é, algo abominado por parte da igreja.

A trama de Xogum:

Como já dito lá em cima, o livro passa no Japão feudal (séc XVII), o país, por não conseguir encontrar um equilíbrio entre quem manda e quem obedece, vive com vários conflitos e guerras civis por todo o país. Um general (Nakamura) consegue, através de alianças, derrotar seus algozes e manter a paz como um comandante em armas do Japão. Declara que seu filho será o imperador - já que, devido ao fato dele ter nascido plebeu, não poderia obter tamanho poder no sistema hierárquico japonês, entretanto, Nakamura falece e, o futuro imperador - com 05 anos de idade - não pode exercer o seu título até a sua maioridade - naquele tempo, 17 anos. Visando a morte como possibilidade, Nakamura invoca uma lei que diz que 5 regentes (Daimios) deverão tomar conta do país até que seu filho possa exercer a maioridade. 

Mesmo assim, a morte de Nakamura e de Sugiyama (o mais velho dos Daimios) cria um racha entre os quatro Daimios restantes, criando duas facções distintas. De um lado, temos o Daimio senhor do Kwanto, (o Kwanto seria o território que engloba Tóquio e outras províncias) e das oito províncias que não são descritas no livro, e, do outro lado, temos o Daimio Ishido – detentor de Osaka, a fortaleza impenetrável. Ishido luta pela manutenção do poder por parte do Imperador, mas possui intenções obscuras que eu não vou falar; e, por enquanto, os outros dois Daimios que são inimigos entre eles (Onoshi e Kiyama) não possuem lados.

A chegada de Blackthorne pode virar a maré da provável guerra que se aproxima, com suas táticas de guerrilha, política e relações comerciais, transformando um naufrágio numa possibilidade de mudança de uma nação inteira. E através desses dois entreveros, a trama da história gira com vários personagens e situações engraçadas e embaraçosas que o personagem principal passa, até se acostumar e se adaptar aquele povo cheio de mistérios. 


Curiosidades sobre Xogum:
  1. Embora os nomes dos personagens sejam fictícios, eles representam, em sua maioria, personagens que já existiram no período Tokugawa (ou Xogunato);
  2. O filme "O Grande Samurai" com o Tom Cruise, ocorre logo após o fim do período Tokugawa, com os Samurais em plena decadência;
  3. Houve uma série de TV em 1980 que retratava os acontecimentos do livro. A série tinha 10 episódios e foi transmitida pelo canal TCM;

Vale a pena conferir...

Esse período da história japonesa (Era Tokugawa e Era Meiji) é um período cheio de conteúdo literário e cinematográfico. Vale a leitura do clássico "Musashi" de Eiji Yoshikawa (o livro se passa durante o período Tokugawa); e os filmes "live-action" do anime Samurai X: Samurai X (2012), Samurai X - Inferno de Kyoto (2014) e Samurai X - O fim da Lenda (2014) - todos os filmes passam após o período Tokugawa e início do período Meiji, além é claro, do filme "O Último Samurai", que também passa no fim do período informado no livro Xogum.

Em algumas discussões pessoais eu sempre digo que esse é o livro da minha vida. Não apenas por ser o maior volume único que eu tenho, mas por fazer nascer a semente que já existia em mim de aprender mais sobre a cultura (língua e costumes) japonesa. Talvez um dia visite o Japão - e os lugares por onde o livro passa Kyoto, Osaka, Edo (Tóquio), Izu -, já que é a única coisa que falta fazer inspirado em Xogum - A Gloriosa Saga do Japão.

Escrito por: Alvaro Dias

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